v

Imprimir Esta Receita

Print Friendly and PDF

Aventuras em Hurgada!




Nesta passagem de ano recordámos uma outra numa viagem que fizemos há talvez uns 12 anos ao Egipto.

Fomos a Hurgada, aterrámos e o aeroporto ainda cheirava a novo; muito bonito a imitar as tendas das tribos do deserto. Fomos levados para o hotel onde nos esperava uma refeição tardia uma vez que chegámos por volta da meia-noite.

Não havia uma única mulher a trabalhar no hotel, fez-me um pouco de impressão, mas segundo a cultura Egípcia creio que seria muito mal visto o convívio com homens e principalmente com pessoas de outras culturas. Achei que os funcionários do hotel deixavam muito a desejar quanto a simpatia e afabilidade, sempre demasiado desconfiados…

No primeiro dia fomos conhecer o comércio local, entrámos em várias lojas e nenhum artigo tinha preço marcado, pelo que teríamos que regatear todas as compras, do valor inicial a maior parte das vezes conseguíamos os produtos por metade.

Aventuras:

Tivemos realmente algumas aventuras nesta viagem! Agora serão engraçadas ao relembrar, mas na altura…

Trancados no carro de um desconhecido – Numa das lojas de lembranças o dono veio ter connosco e fez uma série de perguntas às quais respondemos, quando soube que eramos portugueses falou do Figo (na altura era um ídolo), e mostrou-nos uma cruz tatuada na mão, explicou que os cristãos no Egipto eram marcados com uma cruz, para não serem castigados na época do ramadão, quando consumiam álcool e noutros costumes proibidos aos muçulmanos.
Isto fez-me pensar: “qual seria a reacção na Europa se marcássemos as minorias?” Temos realmente mentalidades completamente diferentes, esta situação chocou-me bastante.
Então o “Senhor cristão” perguntou-nos se tínhamos os passaportes connosco. Ficámos assustados com a pergunta e dissemos que não, que os passaportes estavam com os nossos colegas que estavam noutra loja (mentira…), ele reparou que ficámos nervosos com a pergunta e disse-nos que os cristãos apenas tinham direito a uma quantidade de álcool por ano, mas que os turistas poderiam comprar álcool e pediu-nos se não poderíamos ir a uma free-shop (mesmo ao lado da sua loja) com ele comprar algumas garrafas de vinho que ele pagava. Para manter a história dissemos que teria que ser outro dia porque não tínhamos os passaportes. Entretanto ficámos de olho na cópia de um papiro enorme e que nas outras lojas era muito mais caro e não tinha a mesma qualidade.
No dia seguinte resolvemos ir comprar o papiro e fomos com ele à free-shop, comprou o vinho e uma garrafa de whisky, e quando nos despedimos ele insistiu em levar-nos ao hotel. Recusámos, mas ele estava tão agradecido que chamou um miúdo falou qualquer coisa e daí por instantes o miúdo trazia uma quantidade de garrafas de coca-cola para nós bebermos… lá bebemos a coca-cola e saímos da loja, quando demos conta ele estava já com o carro ao nosso lado para nos dar boleia, voltámos a rejeitar mas foi realmente muito persistente e lá entrámos os 3 no carro. Mal o carro arrancou ouvimos o clique das portas a trancarem, e ficámos assustados, ele notou e disse que era normal, o carro assim que arrancava automaticamente trancava as portas, e para o provar travava, desligava o carro, abria a porta e voltava a arrancar, as portas faziam o clique e repetia outra vez agora com as mão à mostra! Isto tudo OK não estivéssemos nós numa avenida com 4 faixas de cada lado em hora de ponta… com os outros carros a buzinar! Foi realmente uma aflição daquelas! Mas no final o senhor só queria ser simpático e agradecer!

Só sei que estou num beco… – Numas das nossas incursões pelas compras juntou-se um casal e o filho e resolveram comprar, creio, um colar com uma medalha. O ouro tinha os mesmos quilates que o ouro português e era muito mais barato, no fim de estar tudo pago informaram que para gravarem a medalha teriam que ir a outra loja, e nós pensámos: “ainda nos fogem com o fio, e já está pago…” então, foram 2 homens do nosso grupo com o “estafeta” à loja de gravação. As mulheres ficaram na ourivesaria, dez minutos depois telefonei ao meu marido a perguntar se iriam demorar muito, ele respondeu que ainda estavam a caminhar por uns becos e que ainda não tinham chegado ao sítio… Voltei a tentar telefonar, mas ia para o voice mail, passou meia hora, passou uma hora e nunca mais voltavam... Já era noite e nós sozinhas, na ourivesaria informaram que iriam encerrar, ficámos em pânico! Entretanto chegaram os homens com a medalha gravada! Saved by the bell!

Vamos chamar a Policia! No regresso das compras apanhámos um táxi colectivo, porque já não haviam autocarros a funcionar, ao sair um amigo meu deu uma nota de 50 libras e o motorista disse que ele tinha dado uma nota de 50 centimos. Nós já tínhamos sido avisados pelo guia deste estratagema por parte dos locais, e que caso acontecesse deveríamos dizer que iriamos chamar a polícia! Após uma enorme discussão alguém se lembrou do conselho do guia e disse: “ou nos dá o troco correcto, ou chamamos a polícia!” E não é que resultou?

Os pequenos que se desviem! Fomos fazer uma excursão a Luxor (lindíssimo), e entrámos num autocarro que a determinada altura se juntou a outros e formámos um comboio de autocarros guardados por polícias com metralhadora em riste, fiquei logo cheia de medo e pensei: “Ó meu Deus, onde é que me vim meter?”
De Hurgada para Luxor passamos pelo deserto, então iniciou-se o “rali das camionetas”, todos os motoristas queriam chegar em primeiro, e foi do género: fico aqui sentada, imóvel, agarrada ao assento e tento respirar devagar, porque isto não vai acabar bem…
O ponto alto foi a primeira vez que numa ultrapassagem vinha um carro familiar de frente e todos nós dizíamos: “cuidado, vamos bater no carro, agarrem-se!”
Mas não, a estrada era dos autocarros, se viesse um carro em sentido contrário, a solução era continuar a andar pelo deserto, de modo a não incomodar o autocarro… o mesmo se passava com carros que iam à nossa frente, bastava uma buzinadela para que saíssem da estrada e nos deixassem passar!
Não sabíamos se deveríamos rir ou chorar, tal era a cena...

Esta foi realmente uma viagem cheia de aventuras, para não mencionar a ruptura de stock do Imodium que levámos de prevenção!